04/03/2015 | 09:05 - Atualizado em: 04/03/2015 | 09:05

Moradores de favela do país querem ser empreendedores

Pesquisa do instituto Data Favela mostra que quatro em cada dez residentes em comunidades pretendem ter um negócio próprio

Patricia Büll pbull@brasileconomico.com.br

São Paulo - O sonho de ter um negócio próprio alcança quatro de cada dez moradores de favelas brasileiras, o que representa 3,8 milhões de pessoas. Esse percentual é superior aos 23% da média nacional, de acordo com pesquisa apresentada ontem durante o 2º Fórum Nova Favela Brasileira, realizado pela Central Única das Favelas (Cufa) e pelo instituto Data Popular.
“Empreender é um mecanismo de inclusão e uma alternativa para essa população, que ainda sofre com preconceito e, por isso, tem sua chance de melhorar de vida prejudicada”, afirmou o presidente do Sebrae, Luiz Barreto, que apresentou os resultados da pesquisa do instituto Data Favela.

Pela pesquisa, 48% desses futuros empreendedores apontam a oportunidade como principal motivador, à frente dos 35% que apontam a necessidade. A pesquisa mostrou também que 63% querem empreender dentro da favela onde vivem e apenas 15% em um bairro fora da favela. “Esses moradores perceberam que na favela circulam recursos, daí a opção de ter um negócio dentro da própria comunidade. Não falta demanda. Ao contrário do que ocorre com a população pobre, na favela há renda”, disse Barreto. Segundo a pesquisa, os 12,3 milhões de moradores das favelas brasileiras movimentam por ano R$ 68,6 bilhões.

Outro fator que beneficia o negócio no local é a mobilidade, especialmente para as mulheres, que são a maioria a querer empreender (51%). “Ter um negócio perto de onde mora é uma alternativa às mulheres que não têm creche para deixar seus filhos, mas ainda assim precisam e querem ter uma renda”, afirmou Barreto.
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ntre os futuros empreendedores das favelas brasileiras, a maioria (56%) pertence à classe C, 38% são da classe baixa e 7% da classe alta. Boa parte dos futuros empreendedores tem mais de 25 anos e é casada (51%) e a maioria (73%) é negra ou parda.

A má notícia é que ainda é baixo o número de pessoas que “começaram a se mexer”. Apenas 10% dos que pretendem empreender já fizeram alguma coisa para abrir o negócio nos próximos 12 meses. Desses, 30% começaram a guardar dinheiro e 28% trabalharam no planejamento do negócio.

Negócios na favela ajudam a movimentar a economia loca l

Presidente do Data Popular, Renato Meirelles destacou que a abertura de negócios nas comunidades também fortalece a economia local. Afinal, entre os moradores que fizeram compras nos últimos 30 dias, 82% compraram itens básicos no comércio que fica na própria comunidade onde mora. “Existem espaços para fomentar negócios em áreas que vão além dos itens básicos”, disse.

De acordo com a pesquisa, na hora de comprar produtos mais caros, como eletrônicos, eletrodomésticos ou produtos de tecnologia, os moradores buscam espaços fora das favelas, seja por causa da facilidade para encontrar esses itens ou pelas condições de pagamento oferecidas. “Precisamos ajudar a planejar empreendimentos que também tenham negócios dessa natureza mais complexa”, complementou o presidente do Sebrae.

Para a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, a a favela é o retrato da exclusão social no Brasil. “Essa pesquisa joga luz sobre o Brasil profundo, que ainda é pouco conhecido e enxergado pelo resto do país e que reúne ainda o pobre nordestino e das comunidades rurais”, disse.

A pesquisa foi feita no mês passado com 2 mil moradores de 63 favelas localizadas em nove regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília) e no Distrito Federal.

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