02/05/2014 | 09:15 - Atualizado em: 02/05/2014 | 09:14

Infraestrutura precisa de R$ 2 tri em 20 anos

Economistas calculam que a elevação do investimento de forma significativa aproximaria o Brasil de países com alto nível de competitividade, como Coreia do Sul, Chile e Colômbia

Fernanda Nunes fernanda.nunes@brasileconomico.com.br e Nicola Pamplona nicola.pamplona@brasileconomico.com.br

O Brasil precisará investir R$ 2 trilhões em infraestrutura nos próximos 20 anos para conseguir impulsionar a atividade econômica como projeta o governo e alcançar o nível de competitividade de países emergentes que despontaram no setor nos últimos anos — como a Coreia do Sul, na Ásia, e Chile e Colômbia, na América Latina. As contas são de Armando Castelar, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), e de Cláudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B — organizadores do recém-lançado livro “Gargalos e soluções na infraestrutura de transporte”.

“Se, em um passe de mágica, o investimento em infraestrutura passasse de 2,5% para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o país poderia crescer neste ano, em vez de 1,8% (como projeta o Ibre), mais de 3%”, diz Frischtak. Ele ressalta que, para compensar a depredação natural da infraestrutura existente, são necessários investimentos de, pelo menos, 3% do PIB.

Ao ano, a defasagem entre o Brasil e os países com investimento de ponta no setor é de R$ 100 bilhões, revela o estudo. Para suplantar essa lacuna, seria necessário ampliar em 11% a taxa de investimento atual, de 18,3%, “meta coincidente com a do governo”, salienta Frischtak. Elevar a participação da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida de investimento) no PIB para além de 20% tem sido uma intenção reiterada continuamente pelo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Assim como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou inúmeras vezes a vontade de transformar o investimento em infraestrutura em vetor do crescimento já a partir de 2014, uma compensação ao projeto de expansão baseado no consumo, que já demonstra estar próximo do esgotamento e tem efeitos diretos sobre a inflação.

“Nosso objetivo é fazer (a concessão de) mais três ou quatro rodovias este ano; fazer, pelo menos, (a concessão de) duas ferrovias; os aeroportos, e os portos também”, afirmou Mantega, em setembro do ano passado, para, em seguida, completar: “No próximo ano, teremos todos os investimentos sendo realizados. É a maneira que nós poderemos aumentar o nosso PIB no próximo ano, puxado por investimentos em infraestrutura”.

A ideia era, com isso, chegar a um crescimento da atividade de 3%. Mas os planos não ocorreram como previsto e, na semana passada, o ministro foi a público rever sua projeção de expansão do PIB em 2014 para 2,3%. Paulo Fleury, especialista da UFRJ e diretor-geral do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), projeta que apenas em 2015 a economia começará a sentir os efeitos das concessões de rodovias e aeroportos em 2012 e 2013. “O prazo é de dois a três anos (desde a concessão) para que o investimento apareça”, diz.

Em rodovias, os contratos preveem prazo de seis meses a um ano para o início das obras e mais um para a conclusão. Hoje, as concessionárias dos leilões de 2013 estão na fase de contratação da engenharia básica. E apenas em um ano começarão a construir.

Além disso, destaca Fleury, o número de leilões ficou aquém do entusiasmo do governo. “A grande maioria das rodovias não tem fluxo suficiente para justificar concessões. O modelo teria que ser de PPP (Parceria Público-Privada), por isso não decolou. E o governo no início errou feio, não houve interesse da iniciativa privada. No início, foi estabelecida taxa de retorno, para, em seguida, o governo voltar atrás”, analisa Fleury.

Mesmo o sucesso de todos os leilões não seria suficiente para elevar o PIB no patamar almejado pelo governo, segundo Castelar, do Ibre. Caso o Programa de Investimento em Logística (PIL) tivesse saído do papel como previsto e os efeitos sentidos no curto prazo, o reflexo sobre o PIB seria de 0,05% ao ano, uma proporção considerada pequena pelo economista.

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