10/06/2015 | 09:13 - Atualizado em: 10/06/2015 | 09:12

Famílias paulistanas com dívidas crescem

Segundo Fecomercio-SP, índice atingiu 55,1% em maio, o que corresponde ao maior valor desde julho de 2013

Mariana Pitasse mariana.pitasse@brasileconomico.com.br

Rio - Na tentativa de equilibrar o orçamento, as famílias paulistanas estão mais endividadas em função dos empréstimos não previstos para tentar manter o mesmo padrão de consumo. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), a proporção de famílias endividadas passou de 48,9% em abril para 55,1% em maio, o maior valor desde julho de 2013.

De acordo com a análise da instituição, embora a parcela de endividados tenha registrado queda de 2014 até fevereiro deste ano — quando o endividamento alcançou 38,9% —, o indicador voltou a subir desde então e registrou a terceira alta consecutiva. Em números absolutos, o total de famílias com algum tipo de dívida passou de 1,755 milhão em abril para 1,974 milhão em maio, na comparação com o mesmo período em 2014, corresponde a um acréscimo de 139 mil.

“O resultado alcançado pelas famílias paulistanas se aplica à realidade observada em âmbito nacional. Há alguns anos, observamos um aumento do endividamento, mas por razões diferentes. Antes, as famílias se endividam por conta da aquisição de bens de consumo, hoje o endividamento está ligado a dificuldade de fechar o mês. As famílias não estão conseguindo manter seu padrão de consumo e para equilibrar o orçamento estão assumindo empréstimos que antes não eram previstos”, explica o assessor econômico da Fecomercio-SP, Vitor França.

O endividamento é maior entre as famílias com rendas de até dez salários mínimos, que alcançou 58,5% em maio, ante 50,8% em abril, o que representa uma alta de 7,7 pontos porcentuais. Já entre as que possuem renda maior que dez salários mínimos, o endividamento passou de 43,5% em abril para 45,2% em maio — aumento de 1,7 p.p.

Outro dado destacado pela pesquisa é que o cartão de crédito, mais uma vez, liderou o motivo do endividamento e, em maio, atingiu 69,9%, contra 65,3% em abril. Na sequência aparece o financiamento de veículos, com 17,9%, carnês, com 14,1%, financiamento de casa, somando 12,7%, e crédito pessoal, com 11,7%. O chegue especial apareceu em seguida com 5,8%. Para os consumidores com dívidas, o comprometimento da renda tem maior incidência nos prazos por mais de um ano, com 38,1%, e em até três meses, somando 21,7%.

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