13/02/2015 | 09:30 - Atualizado em: 13/02/2015 | 09:30

Setor pet é bom negócio para PMEs

Mercado mundial de animais de estimação movimenta US$ 98,4 bilhões por ano. Brasil ocupa o segundo lugar, atrás dos EUA

Erica Ribeiro eribeiro@brasileconomico.com.br

Rio - Com uma população de 106 milhões de animais de estimação no Brasil, o que não falta é demanda para que empresas do setor pet cresçam e apareçam. Além das tradicionais pet shops e lojas especializadas, surgem nichos de mercado que abrem espaço para micro, pequenas e médias empresas em todo o país. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), mostram que, em 2014, o setor movimentou R$ 16 bilhões, alta de 8,2% ante o ano anterior.

O segmento de pet food (alimentação) lidera a lista de atividades que fazem parte deste universo, seguida pelo setor de serviços, cuidados com animais — que vão de equipamentos a acessórios e produtos para higiene. O setor veterinário também está entre os que puxam o crescimento deste mercado no país, considerado o segundo maior da indústria pet no mundo, atrás dos Estados Unidos e à frente do Reino Unido, França e Alemanha.

Do universo de empresas que atua no segmento, 33,5 mil são de pequenas e médias empresas, isso apenas no varejo de pet shops, segundo dados do Instituto Pet Brasil. Mas não são poucas as que investem na diversificação de produtos e serviços.

Fabiana Velmovitsky abriu há um ano o Club Pet, no Leblon, zona Sul do Rio. Sua decisão de abrir um negócio próprio veio da demanda percebida por ela de serviços para cães e gatos que têm donos que trabalham o dia todo ou viajam a negócios.

“Buscamos opções de bem-estar para os animais. Aqui, eles fazem natação, temos um serviço de day care com atividades, alimentação e banho, além de um atendimento de hotelaria para que os donos de cães e gatos deixem seus animais em segurança enquanto viajam. O serviço de beleza também é parte do atendimento. Temos produtos hipoalergênicos, usados para a hidratação dos pelos”, enumera ela, que cobra R$ 85 por um dia no Club Pet. Já o serviço de hotelaria custa R$ 140 a diária para períodos de até dez dias.

Também voltada para o bem-estar dos animais de estimação, a Pet Games se especializou em brinquedos funcionais, que estimulam os bichos e, segundo o proprietário da marca, Dalton Ishikawa,que também é veterinário, são feitos para divertir e ensinar os pets a se alimentar melhor e reduzir os níveis de estresse.

Os produtos são desenvolvidos e fabricados pela própria empresa. São bolhas de sabão, pequenos insetos de brinquedo, entre outros itens.

“Acreditamos que disseminar entre os donos dos bichos conhecimento na área de comportamento animal é a melhor maneira de se obter mais alto nível de bem-estar possível para eles”, defende Ishikawa.

Disa Sotero, que em julho do ano passado começou a fazer camas para pets, transformou o amor aos bichos em um negócio. Moradora de Teresópolis, região serrana do estado do Rio, ela vende para pet shops locais e fechou parceria com dois representantes, que distribuem seus produtos em cidades do estado.

“Pesquisei o mercado e vi que havia demanda para isso. O negócio vem crescendo e estou criando agora linhas especializadas”, diz ela.

Ligia Amorim, diretora geral da NürnbergMesse Brasil, organizadora da Pet South America, que acontece no Brasil, o segmento pet nacional sempre se destaca pela variedade criativa, inovação e tecnologia dos produtos e serviços ofertados.

“O mercado Pet é extremamente amplo, com vários segmentos e com espaço para todos os tamanhos de empresas. E a cada ano o mercado brasileiro apresenta novos produtos e serviços”, afirma Ligia.

De snacks a almofadas e cobertores de grife, empresas buscam novos nichos

Com o setor de alimentação encabeçando a lista de itens que movimentam o mercado pet, indústrias especializadas nesse segmento sempre aparecem com alguma novidade. Em Pirassununga (SP), fica a fábrica da Petitos, que produz 35 toneladas de snacks para cães e gatos por mês. Mas nada de limitar-se aos famosos bifinhos. Gustavo Del Claro, dono da Petitos, resolveu criar novos sabores para agradar o paladar dos pets e chamar a atenção dos donos de animais.

“Sou formado em zootecnia e com mestrado e doutorado em nutrição animal. Eu abri a empresa em 2012 com minha esposa pensando em inovar neste segmento. E desde o ano passado estamos desenvolvendo snacks diferentes”, diz ele.

Entre as novidades, petiscos de churros, de picanha e até de sushi, para os gatos. As próximas fornadas serão de snacks de brigadeiro. Del Claro faturou R$ 5 milhões com seus produtos em 2014 e prevê um crescimento de 30% nas vendas este ano. Hoje, 80% de suas vendas vão para atacadistas e 20% feitas diretamente por ele e sua equipe.

O mercado pet estimula também empresas como a Trousseau, que lançou a Trousseau Pets, que tem peças mantas, tapete dupla face e almofada em formato de osso. Adriana Trussardi, sócia da marca de luxo criada em 1991, diz que a decisão de criar uma linha de produtos de cama para os pets veio dos próprios clientes da marca.

“Muitos clientes nos solicitavam uma linha para seus pets. Muitos tinham camas lindas mas usavam cobertores e almofadas velhos. Todos são fabricados por nós e, por enquanto, vamos sentir a receptividade do mercado para depois ampliar os produtos”, comenta ela.

No franchising, a DrogaVet, de farmácias de manipulação, vai abrir mais sete unidades franqueadas este ano. Hoje, são 25 em funcionamento em todo o país. Com sede em Curitiba, a empresa foi criada pela farmacêutica Sandra Schuster,que desenvolve fórmulas para tratamento dos animais. A empresa faturou em 2014 R$ 19 milhões e estima crescimento de 10% este ano.

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