Às voltas com dificuldades de investir no Brasil há mais de duas décadas, devido principalmente ao custo da energia, a indústria de alumínio tem R$ 20 bilhões para aportar nos próximos dez anos.
O desembolso depende, no entanto, de medidas do governo para desonerar a energia, insumo cujos impostos e encargos setoriais chegam a responder por 52% do custo total.
Produzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o diagnóstico foi encomendado pela Associação Brasileira da Indústria do Alumínio (Abal), que o encaminhará, nos próximos dias, aos três principais candidatos na disputa pela Presidência da República.
Presidente da Abal, Adjarma Azevedo revela que, se nenhuma providência for tomada, não só os investimentos vão migrar para outras regiões do mundo — como o Oriente Médio —, como o país terá que recorrer às importações para abastecer o mercado interno.
"Se nada for feito, o cenário, que pode ser favorável para o país, pode se confirmar negativo, com a desindustrialização de um setor importante, como o de alumínio", adverte Azevedo.
"A probabilidade de que as importações cresçam não pelo lado do alumínio bruto, mas pelos artigos acabados, é grande."
Bugigangas chinesas
O executivo lembra que as importações de produtos da China, como panelas e outros itens, indicam que o fenômeno já se encontra em curso no país.
Apesar do alerta, o presidente da Abal procura manter um tom otimista em relação às perspectivas do setor.
Como justificativa, lembra que os três principais candidatos à Presidência da República citam a desoneração da energia como medida urgente para o país.
Azevedo revela que mesmo o atual governo já estuda medidas nesse sentido.
Embora ainda não esteja definida a data de entrega do estudo para os presidenciáveis, a iniciativa precisa ocorrer nos próximos 30 dias, pelo menos, uma vez que o primeiro turno das eleições está previsto para o próximo dia 3 de outubro.
Desindustrialização
A situação do setor de alumínio revela em tons dramáticos um cenário de dificuldades comum a todos os chamados setores eletrointensivos — que têm na energia o insumo com maior peso na composição de custos.
Seja pelo custo da eletricidade ou, em alguns casos, do gás natural, tais setores têm optado por adiar ou redirecionar investimentos para outros países.
Em maio último, por exemplo, a mineradora Vale vendeu ativos de alumínio e bauxita no Brasil para a norueguesa Norsk Hydro, em uma operação de US$ 4,9 bilhões, no total.
O grupo Votorantim anunciou, por sua vez, investimento em nova fábrica de alumínio, em dezembro do ano passado, em Trinidad & Tobago.
Por meio da Votorantim Metais, o grupo venceu uma concorrência para construir uma unidade de 250 mil toneladas em La Brea, a 70 quilômetros de Port of Spain.
A Abal alerta, ainda, que hoje, se confirmada a tendência, o país reproduzirá um movimento já ensaiado pela indústria australiana de alumínio, que trocou a condição de exportadora do produto semiacabado para a de exportadora de matérias-primas, como alumina e bauxita, presentes no solo brasileiro.
Desde 1985 o país não recebe grande investimento na expansão da capacidade do setor.
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