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Negócios

08/01/14 | 11:54 - Atualizado em: 08/01/14 | 11:54

"A atual taxa de mortalidade das empresas mostra avanços"

O presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barreto, comemora a redução da taxa de mortalidade das pequenas nos últimos 10 anos

Érica Ribeiro redacao@brasileconomico.com.br
"A Secretaria da Micro e Pequena Empresa será fundamental para melhorar o ambiente para empreender no Brasil", diz Barreto. Foto: Murillo Constantino

Os pequenos negócios representam cerca de 20% do PIB brasileiro ou pouco mais de R$ 1 trilhão. Para o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barreto, para que o setor possa se desenvolver ainda mais no país, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa terá um papel importante, com o aprimoramento do Supersimples, a simplificação da tributação, a desburocratização e a melhoria na concessão de crédito para as micro e pequenas empresas. Ele também comemora a redução da taxa de mortalidade das pequenas nos últimos 10 anos.

Qual é o balanço que o Sr. faz do ano de 2013 para as micro, pequenas e médias empresas brasileiras?

As micro e pequenas empresas mostraram que, mais uma vez, são as grandes geradoras de emprego no Brasil. De janeiro até outubro de 2013, os pequenos negócios abriram mais de 950 mil vagas de trabalho. Só em outubro foram gerados 101 mil empregos. O número total de pessoas empregadas neste mês foi superior ao da quantidade de trabalhadores que a Petrobras possui em seu quadro atual - cerca de 85 mil funcionários.

No que avançamos? Onde ainda é preciso melhorar?

A escolaridade dos empresários de pequeno porte está melhor e acima da média da população brasileira: 47% dos empreendedores têm até o segundo grau completo, o que impacta positivamente na qualidade do empreendedorismo brasileiro. Em relação à legislação, demos um grande passo com a aprovação, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei Complementar (PLP) 221, que vai permitir a inserção de quase meio milhão de micro e pequenas empresas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano no Supersimples e uma redução média de 40% em sua carga tributária. Clínicas médicas, consultórios de dentistas, escritórios de advocacia, pequenas imobiliárias e mais de 200 outras atividades, até então enquadradas no regime de lucro presumido, passarão a ter o direito a aderir ao Supersimples. A medida segue agora para o plenário da Câmara e deverá ser votada neste primeiro semestre.

O comércio ainda é um setor com maior procura por pequenas empresas...

Os empreendedores brasileiros ainda têm em comum o fato de preferirem os setores de comércio e serviços ante os de indústria e de construção civil (5%). Os dois primeiros acabam saindo na frente por exigirem menos investimentos iniciais, por exemplo. Em compensação, nem sempre as empresas dessas áreas têm condições de crescer, gerar mais empregos, investir em pesquisa e desbravar novos mercados.

Quais são as barreiras para que mais empresas possam ser estabelecidas no Brasil? A carga tributária é um grande problema? A burocracia?

A Secretaria da Micro e Pequena Empresa terá papel fundamental para melhorar o ambiente para empreender no Brasil. O ministro Guilherme Afif Domingos já disse que os desafios prioritários serão o aprimoramento do Supersimples, com a simplificação da tributação, a desburocratização e a melhoria na concessão de crédito para as micro e pequenas empresas. Cada vez mais, vemos a necessidade de disseminar na sociedade brasileira a cultura empreendedora. O comportamento empreendedor é útil para quem vai ter o próprio negócio ou para quem vai trabalhar em uma empresa. Sabemos que não é preciso nascer com o dom de empreender. Isso pode ser desenvolvido ao longo do tempo.

Que outros setores estão sendo demandados na abertura de empresas?

A cadeia de petróleo e gás, energia, agronegócio e construção civil. O pré-sal, a realização da Copa das Confederações e a proximidade da Copa do Mundo podem ter sido um dos fatores que contribuíram para esse sucesso.

A taxa de mortalidade diminuiu esse ano?

A taxa de mortalidade vem diminuindo nos últimos 10 anos e em julho de 2013 a sobrevivência chegou a 76%. Há dez anos, esse índice era de 50%. A atual taxa mostra uma melhor capacidade das micro e pequenas empresas para superar dificuldades nos primeiros dois anos do negócio. Nesse período inicial, a empresa ainda não é conhecida no mercado, não possui carteira de clientes e, muitas vezes, os empreendedores ainda têm pouca experiência em gestão. É o período mais crítico porque a empresa está se lançando no mercado e muitas vezes o empreendedor não tem experiência na gestão de um negócio. Mas, qualquer taxa de sobrevivência acima de 70% já pode ser considerada positiva.

A figura do MEI (Microempreendedor Individual) mudou muito a visão do empreendedor no Brasil. Quantos são o microempreendedores no país hoje? Quantos seremos nos próximos anos?

O MEI é o maior movimento de formalização do mundo. Apenas entre os meses de janeiro e novembro do ano passado, um milhão de pessoas se formalizaram como MEI. Atualmente, o sistema já soma 3,6 milhões de inscritos. Isso se deve em razão da continuidade da força do mercado interno e dos investimentos públicos e privados. Projeção feita pelo Sebrae afirma que até 2022 vão existir 12,9 milhões de empresas optantes pelo Simples e neste ano o número de MEI vai ultrapassar o número de micro e pequenas empresas. Serão 4,3 milhões de microempreendedores individuais e 4,2 milhões de micro e pequenas empresas. O Brasil tem hoje 8,2 milhões de micro e pequenas empresas optantes pelo Supersimples.

A Copa e as Olimpíadas vão movimentar o mercado para as micro e pequenas empresas?

O próximo ano promete muitas oportunidades com a Copa e as eleições. Os empreendedores dos mercados de eventos esportivos, musicais e políticos terão ótimas oportunidades. Serviços gráficos e confecções também se beneficiarão. As empresas que querem aproveitar as oportunidades para a Copa do Mundo podem conhecer as ações que o Sebrae desenvolve no portal www.sebrae2014.com.br. Já temos 25 mil pequenos negócios inscritos em dez setores nas 12 cidades-sede. O portal conta com aproximadamente cem dicas e ideias que podem fortalecer negócios já existentes ou que ainda estão para nascer. Foram mapeados dez segmentos. É importante lembrar que investir em cima da hora pode implicar em dizer que o risco de retorno também diminui.

Temos uma boa rede de serviços para os empreendedores?

Nenhuma instituição de apoio aos pequenos negócios do mundo tem um conjunto tão amplo de serviços e atende anualmente mais de 1,6 milhões de empreendedores e donos de pequenos negócios. Mesmo nosso parceiro americano, o SBDC (Small Business Development Center, uma rede de 1.000 escritórios de apoio aos pequenos negócios nos 50 estados americanos), atendem cerca de 750 mil empresas por ano. O Brasil, por sinal, é um dos países latino-americanos onde as novas empresas têm mais acesso a crédito (são 90%), de acordo com o estudo. Só perde para a Bolívia, onde esse percentual é de quase 100%. Para começar, a empresa é de família (23% das registradas no Brasil são assim) e tocada pelos próprios fundadores, assim como 32% dos empreendimentos nacionais. Esses são os maiores percentuais encontrados na América Latina e no Caribe, segundo o relatório do Banco Mundial.

Na comparação com outros países, no que temos de bons exemplos no segmento? E o que ainda é necessário aprimorar?

Em termos de apoio aos pequenos negócios , o Sebrae é considerado uma das instituições com portfólio de serviços mais amplo no mundo. Uma das principais diferenças entre o Sebrae e outras instituições internacionais congêneres é o duplo papel exercido tanto como agência dedesenvolvimento, apoiando a construção de um ambiente de negócios mais favorável para os pequenos negócios, mas também enquanto instituição de capacitação e desenvolvimento empresarial. Do ponto de vista do empreendedorismo, o Sebrae apoia tanto os potenciais empresários, aqueles que ainda sonham em ter um negócio, mas também tem cursos e outras atividades voltadas ao fomento e ao empreendedorismo para os que já possuem negócios. Recentemente o Sebrae vem apoiando a educação empreendedora nos níveis fundamental de ensino através do programa Pronatec Empreendedor.

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