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22/03/10 | 12:15 - Atualizado em: 22/03/10 | 12:15

Atuação de estrangeiros fica aquém da esperada

Estudo sobre a recente evolução do sistema bancário mostra que instituições nacionais tiveram maior eficiência.

Aline Lima redacao@brasileconomico.com.br
Patrícia Camargo: "Bancos estrangeiros também se tornaram relevantes, porém de importância secundária, se comparados aos nacionais"

A chegada de grandes instituições financeiras internacionais ao Brasil durante a última década foi seguida por uma enorme expectativa em relação às transformações pelas quais o mercado poderia passar, a partir de então.

Novos concorrentes deveriam significar, afinal, maior qualidade e diversificação de produtos e serviços, modernização tecnológica, elevação das concessões de crédito e, em última instância, aumento da eficiência do sistema. Em maior ou menor grau, todos esses pontos foram atendidos. Porém, não por conta da presença dos bancos internacionais.

É essa, pelo menos, a conclusão de um recente estudo capitaneado pela economista Patrícia Olga Camargo, intitulado "A evolução recente do setor bancário". "Contrariando as expectativas, os bancos estrangeiros adotaram uma postura conservadora", diz Patrícia. "Em vez de trazerem mais eficiência e inovação, repetiram a fórmula dos demais bancos aplicando em títulos públicos.

Portanto, grande parte das mudanças ocorridas no setor provavelmente teria ocorrido sem a entrada dos estrangeiros."

O levantamento feito por Patrícia compreendeu o período que vai de 1998 até o primeiro semestre de 2008. A análise do sistema bancário foi realizada conforme o tipo de controle - nacional ou estrangeiro. Segundo ela, houve, sim, mudanças positivas, mas elas ocorreram mais em função de condições macroeconômicas do que concorrenciais. Além disso, foram os bancos nacionais, e não os estrangeiros, que imprimiram maior eficiência e modernização ao sistema.

"Os bancos privados nacionais são mais eficientes, apresentam lucros maiores e são menos conservadores", afirma a autora. "Os estrangeiros, no geral, focam em classes mais altas e regiões mais ricas." Daniel Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores, diz que é ingenuidade acreditar que o mercado iria se tornar mais competitivo com o ingresso dos estrangeiros.

"E eu fui um desses ingênuos", conta. "Por que um banco que acaba de chegar vai querer enfrentar Bradesco, Itaú ou mesmo o Banco do Brasil e derrubar as taxas, emprestar mais dinheiro, mudar as características do oligopólio", questiona Coradi. "Mais fácil se juntar a eles."

Públicos

Os bancos oficiais, na avaliação de Patrícia, foram os responsáveis pelas principais transformações ocorridas no sistema financeiro nos últimos anos, especialmente a partir de 2003, quando o presidente Lula assumiu o comando do país. "Os dois maiores bancos públicos federais, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, respondem por parcela significativa de empréstimos e depósitos, além de atuarem como instrumentos de implementação de política econômica", observa ela.

Esse papel de estímulo à redução das taxas de juro ganhou, recentemente, destaque com a crise financeira internacional. De acordo com o levantamento feito por Patrícia em janeiro de 2009, a Caixa Econômica era a instituição que cobrava, em média, os juros mais baratos do mercado (2,44%), seguida do Banco do Brasil (3,36%).

O ambiente econômico foi outro aliado importante nas mudanças ocorridas no sistema, especialmente no que diz respeito à expansão do crédito. "O resultado, no fim das contas, é positivo, pois os bancos passaram a exercer o papel que, de fato, lhes cabe: emprestar", diz. "Os bancos estrangeiros também se tornaram relevantes, porém de importância secundária, se comparados aos nacionais", conclui Patrícia.