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26/08/13 | 17:17 - Atualizado em: 26/08/13 | 17:17

Barcas para desafogar o Rio

Plano Diretor de Transportes estará pronto em setembro e prevê a instalação de 12 novas linhas do modal.

Brasil Econômico redacao@brasileconomico.com.br
O serviço na Baía de Guanabara já é operado pela CCR Barcas, mas a ideia do governo é fazer licitação para nova linha até o fim do ano.

Dono de uma das baías mais protegidas do mundo e de um litoral de 636 km, finalmente, o Rio de Janeiro parece ter despertado para o seu potencial de realizar transporte aquaviário de passageiros.

De acordo com a Secretaria Estadual de Transportes, o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) ficará pronto no mês que vem e nele estão previstas 12 novas linhas aquaviárias. Os estudos de viabilidade técnica já estão sendo feitos e os custos, calculados.

Ainda não foram informados os locais onde as estações serão construídas, mas já se sabe que duas das linhas serão em São Gonçalo, na região metropolitana. Por lá, uma população de 1,2 milhão de habitantes espera ansiosa pelo próximo capítulo dessa novela.

As últimas cenas da trama aconteceram em audiência pública no início de agosto, quando o representante da Secretaria Estadual de Transporte Alexandre Veloso garantiu que a licitação para a operação das barcas sairá ainda em 2014. A previsão é que, em março de 2015, o serviço já esteja funcionando.

Porém, a preocupação do vereador Armando Marins (PL), que está na liderança do movimento que reivindica a estação aquaviária de São Gonçalo, é que, novamente, o projeto fique apenas no discurso. "Estão falando em abrir licitação, mas a estação já deveria estar pronta. Isso já vem de muito tempo. Vamos aguardar uma posição concreta até setembro. Depois disso, se nada acontecer, vamos ao Ministério Público", disse Marins.

E parece que a preocupação do vereador faz sentido. Questionada sobre os prazos apresentados na audiência pública, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Transporte negou a previsão das datas, o que chamou de "apenas um chute". Porém, considerou que a estação de São Gonçalo é um projeto prioritário para a mobilidade urbana da região metropolitana.

"Hoje, 40 mil pessoas saem de São Gonçalo todos os dias para pegar a barca para o Rio, em Niterói. Com a chegada do metrô e a inauguração do Complexo Petroquímico, em Itaboraí, a demanda de passageiros de São Gonçalo para o Rio pode passar de 300 mil", prevê Marins.

O consultor na área de Engenharia de Transportes e professor da PUC-Rio Fernando Mac Dowell fez uma detalhada pesquisa sobre a iniciativa em São Gonçalo, avaliando diversos tipos de embarcação. "O problema por lá é que teriam que fazer dragagem. E esse serviço depende de manutenção, além de ser muito caro", disse, lembrando que o estudo disponível é antigo e, de fato, precisa ser refeito. Para evitar a dragagem e ganhar agilidade, Mac Dowell indica o uso de barcos menores.

"Tem um, muito usado em Londres, que pode andar tanto em mar como em terra, atingindo uma velocidade de 60 km/h. A capacidade é de até 300 passageiros. Se usarem a embarcação adequada, o projeto sai rápido e o custo principal será o da embarcação, uma vez que é possível usar flutuante nas plataformas", disse.

DEMANDA

40mil: É a estimativa de passageiros que,diariamente, saem do município de São Gonçalo, na região metropolitana, para pegar as barcas para o Rio, em Niterói.

300 mil: É a demanda total prevista de passageiros de São Gonçalo para a capital, quando o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro for inaugurado em Itaboraí.

Plano de São Paulo aposta na 40 mil limitação das novas garagens

Enquanto o Estado do Rio está finalizando o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU), o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apresentou a minuta de seu Plano Diretor Estratégico PDE), na semana passada, prevendo limitar o uso de carro na cidade, especialmente, nas proximidades dos grandes corredores.

Uma importante mudança de conceito na legislação atual determinará um limite do número de vagas de garagens por empreendimento. Na ocasião, o secretário de Desenvolvimento Urbano de São Paulo, Fernando de Mello Franco, explicou que a ideia é regular pelo limite máximo e, se o mercado imobiliário quiser, poderá oferecer produtos sem vagas de garagem.

O projeto prevê ainda orientar o desenvolvimento urbano em algumas regiões específicas, incentivando que os trabalhadores morem próximo ao local de trabalho. Nesse sentido, a prioridade é para construções nos arredores dos corredores da Jacu-Pêssego, na Zona Leste de São Paulo, e da avenida Cupecê, na Zona Sul.

Mello Franco afirmou que os trabalhos de revisão do PDE original, lançado em 2002, levou em conta uma ampla análise dos últimos dez anos e contou com a participação popular, graças às reuniões realizadas no primeiro semestre nas 31 subprefeituras paulistanas. Segundo ele, a estruturação metropolitana foi pensada envolvendo temas relacionados à mobilidade urbana, moradia e emprego.