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12/04/10 | 07:44 - Atualizado em: 12/04/10 | 07:44

Bolha imobiliária é ameaça ao crescimento da China

Para o analista James Chanos, que foi um dos primeiros a prever a queda da Enron, o estouro no gigante asiático pode ocorrer ainda este ano ou em 2011. O megainvestidor George Soros concorda.

Brasil Econômico redacao@brasileconomico.com.br
Crescimento de Pequim é um exemplo da força do mercado imobiliário na China, que o governo tenta domar com novos impostos

O mercado imobiliário da China é uma bolha que pode estourar ainda este ano, afirmou o administrador de fundos James Chanos, na semana passada. O especialista foi uma das primeiras pessoas a prever o colapso da poderosa Enron, em 2001.

A terceira economia do mundo provavelmente terá de manter o ritmo dos investimentos no setor imobiliário, porque até 60% de seu Produto Interno Bruto(PIB) depende da construção civil, diz Chanos. E é possível que a bolha comece a rumar para o fim ao término de 2010 ou em 2011, disse ele em uma entrevista à Bloomberg Television.

"A China está no caminho do inferno", disse Chanos, segundo o qual o país é uma espécie de Dubai, multiplicado por mil. "O país não pode abandonar sua dependência do desenvolvimento imobiliário. É o único que faz subir os dados de expansão econômica".

Os preços dos imóveis na China subiram no ritmo mais veloz em quase dois anos em fevereiro, quando as autoridades restabeleceram - para combater a especulação - um imposto sobre imóveis revendidos depois de cinco anos da aquisição, e ordenaram aos bancos que limitassem a concessão de mais fundos para esfriar a atividade de empréstimos.

O auge do setor imobiliário chinês gerou o temor de que o país enfrente um colapso como o de Dubai, que afetou a capacidade de empresas do emirado, para amortizar dívidas. Desde a previsão feita em janeiro, Chanos, fundador da Kynikos Associates, recebeu a adesão de Marc Faber, editor do boletim Gloom, Doom&Boom, e de Kenneth Rogoff , professor da Universidade de Harvard, sobre a possibilidade de uma crise no mercado imobiliário chinês.

Os governos provinciais e municipais da China estão entre os tomadores com maior alavancagem em créditos relacionados ao setor imobiliário, e no longo prazo o país terá de nacionalizar muitos empréstimos não saldados que surgirão, quando a bolha romper, disse Chanos.

As reservas internacionais da China serão o "único ativo" que poderá ser utilizado para financiar um saneamento do sistema bancário, afirmou. O país acumulou um montante recorde de reservas, de US$ 2,4 bilhões, e US$ 899 billhões em títulos da dívida do governo dos Estados Unidos, em parte como consequência de sua política cambial.

Chanos foi um dos primeros investidores a prever o colapso da Enron, de Houston, Texas. O investidor disse que está vendendo títulos de incorporadores imobiliários chineses assim como de empresas que fornecem materiais de construção ao país, embora não tenha citado nenhuma delas em particular.

Não se sabe ao certo se o imposto sobre imóveis decretado na China ajudará a limitar os elevados preços no mercado imobiliário, disse Liu Shangxi, vice-diretor do Instituto de Pesquisas para Ciência Contábil do ministério das Finanças, segundo a agência oficial Xinhua.

George Soros não tem a menor dúvida

Em uma conferência dada em Cambridge, na Inglaterra, o bilionário investidor George Soros declarou que existe "sem qualquer sombra de dúvida" uma bolha no setor imobiliário chinês, que poderá gerar reverberações em todo mundo, se explodir.

"A questão é saber se as autoridades fizeram o necessário para conter a bolha", afirmou. O perigo é que "ela continue se expandindo".

Para Soros, os líderes chineses necessitam de uma alta de pelo menos 8% do PIB para se manter no poder.