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Negócios

12/05/10 | 10:38 - Atualizado em: 12/05/10 | 10:38

Brasil desengaveta construção de usinas nucleares

Depois de 24 anos de espera, o programa nuclear brasileiro volta com força. Angra 3, prevista para 2015 e potência de 1.405 megawatts (MW), será apenas a próxima a entrar em operação nesta década.

Priscila Machado redacao@brasileconomico.com.br
Usina em Angra, no Rio de Janeiro

Em sua retomada, o programa prevê a construção de mais quatro usinas de 1 mil MW cada. A escolha dos locais ainda é tema de discussão, mas até 2030 a presidência da Eletronuclear - Eletrobras Termonuclear, estatal à frente do projeto, garante a integração de potência entre 4 mil e 8 mil MW à matriz nuclear brasileira.

Além de ser o primeiro passo para a nova fase do projeto nuclear do país, Angra 3 também será a primeira central com sistemas digitalizados, colocando-a no mesmo patamar do que há de mais moderno entrando em operação no mundo, apesar de ter começado a ser construída nos anos de 1970 e haver sido interrompida na década seguinte.

Segundo Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, Angra 3 é uma usina construída com instrumentação e parte do controle digital moderno.

"É uma central que está sendo feita com parque e instrumentação de 20 anos atrás, mas compatível com praticamente todas as centrais em construção no mundo. Só há umas duas ou três com um conceito um pouco mais novo, que provavelmente será implementado nas centrais futuras, cujos locais estão sendo escolhidos."

Expansão para o Nordeste

A previsão é a de que os custos para a construção e instalação de Angra 3 totalizem pouco mais de R$ 8 bilhões, sendo R$ 1,4 bilhão aplicados apenas para a compra de equipamentos. A Eletronuclear estima que os recursos girem em torno de US$ 3 mil a US$ 3,5 mil por quilowatt (kW) instalado. Cerca de 80% será investido na compra junto a empresas já instaladas no Brasil.

Fora do Plano Decenal do Ministério de Minas e Energia (MME), o segmento nuclear tem seu próprio programa sendo estruturado pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, e deverá se expandir para outras regiões do Brasil nos próximos anos.

Além de Angra 3, o governo olha mais longe, mais precisamente para o Vale do São Francisco. O local deverá abrigar a primeira de quatro centrais nucleares que entrarão em operação entre 2019 e 2030.

O engenheiro da Eletronuclear Dráuzio Atalla, supervisor das novas usinas, diz que até o fim desse semestre a estatal terá batido o martelo sobre as áreas consideradas excelentes para sua construção. Sua equipe já fixou quatro regiões nas divisas entre os estados de Pernambuco e Bahia, Alagoas e Sergipe, como as mais promissoras, em uma distância de até 300 quilômetros do litoral. "São quatro regiões muito homogêneas, uma de frente para a outra nas margens do rio", declarou.

Agora, a equipe está fazendo o mesmo levantamento no Sul e Sudeste, iniciando uma concorrência entre nas regiões. Nessa primeira etapa, os engenheiros aplicaram o mesmo processo de informação geográfica por satélite, para ter uma visão de quais locais seriam adequados. A tecnologia é inédita no mundo e atenderia com folga a lista de itens essenciais do Energy Nuclear Institute.

Exigência de mão de obra

O principal quesito para a escolha do local de construção é a parte técnica que envolve o sistema de segurança, mas outros pontos estão sendo discutidos, como desenvolvimento regional e a possibilidade de garantir formação de mão de obra local.

"Na época de Angra 1 não foi construída uma escola técnica que é a primeira coisa que nós estamos pensando em fazer agora", observa Silva. Ele lembra que o intervalo entre a construção de usinas resultou na diminuição do número de especialistas formados.

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