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27/03/14 | 09:20 - Atualizado em: 27/03/14 | 09:20

CNI revê crescimento para 2014

Inflação e juros estão levando a Confederação Nacional da Indústria a reavaliar, para baixo, suas previsões para o ano

Mariana Mainenti redacao@brasileconomico.com.br
Com a redução da margem de lucro, a produção industrial deverá crescer menos que 2% em 2014. Foto: Henrique Manreza

Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) irá reduzir as previsões, realizadas por seus economistas em dezembro do ano passado, para o crescimento da indústria e, consequentemente, do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2014. Na avaliação da entidade, embora o cenário para as exportações tenha melhorado com o atual patamar do câmbio, a inflação está prejudicando o consumo doméstico e o antídoto contra ela, os juros altos, tornam o ritmo de recuperação mais lento.

"Nossa equipe econômica está revisando para baixo as previsões de crescimento porque os juros estão subindo e não vemos a economia decolar. Acreditávamos que o PIB industrial, que ficou em 1,3% em 2013, pudesse chegar a 2% em 2014 e que o PIB brasileiro, que fechou 2013 em 2,3%, agora atingisse 2,1%. Mas, com a redução da margem de lucro, a recuperação será mais lenta, o que terá também impacto no crescimento do país", afirmouo gerente-executivo de pesquisa e competitividade da CNI, Renato da Fonseca. Segundo ele, as novas estimativas serão publicadas em uma semana.

A CNI divulgou ontem sua Sondagem Industrial. O indicador que mede a evolução da produção atingiu 48,3 pontos, contra 47,4 em janeiro. Apesar da melhora, como o índice continua abaixo de 50, significa que a produção manteve-se em queda. Segundo a própria confederação, o resultado poderia ter sido ainda pior se o Carnaval este ano não tivesse caído em março, fazendo com que fevereiro tivesse três dias úteis a mais.

"É um cenário ruim, que também vem sendo traçado por outras pesquisas. A produção industrial de janeiro, medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi melhor do que era esperado, mas não o suficiente para recuperar a queda verificada em dezembro de 2013. A sondagem realizada pela Fundação Getúlio Vargas mostra o empresário industrial bastante pessimista. E, com esse ciclo de alta de juros, não consigo ficar otimista", afirmou a economista do Santander Fernanda Consorte, que estima que a atividade econômica do país tenha uma expansão de 1,7% em 2014 e que o PIB industrial mantenha o patamar de 2013: 1,3%.