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26/03/12 | 14:04 - Atualizado em: 26/03/12 | 14:04

Copa e Olimpíada precisam colocar a cultura em campo

Especialistas alertam que o legado dos eventos de 2014 e 2016 não pode ficar restrito apenas ao esporte.

Rafael Palmeiras redacao@brasileconomico.com.br
Para Ana Carla, o Brasil tem uma grande chance de deixar um legado que beneficiará a cultura

"Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão, aqui é o país do futebol." O trecho da música Aqui é o país do futebol, que ficou famosa na voz de Elis Regina, é uma das muitas composições que narram a paixão do brasileiro pelo esporte.

Esse amor, no entanto, não deveria ficar restrito apenas ao esporte. O país que será palco dos grandes eventos esportivos de 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Jogos Olímpicos) tem um desafio pela frente: deixar um legado de melhorias e desenvolvimento, principalmente para o setor cultural.

Com o objetivo de amadurecer o debate sobre o assunto, um grupo de especialistas em economia criativa, liderados por Ana Carla Fonseca lança hoje no Museu do Futebol, em São Paulo, a obra Cidades Criativas, soluções inventivas: o papel da Copa, das Olimpíadas e dos museus internacionais.

Para Ana, que também atua como consultora especial da ONU em economia criativa, a pergunta a ser feita é: "O que é necessário para que à cultura seja atribuída mais do que as celebrações de abertura, encerramento e as atividades de entretenimento, reconhecendo seu papel fundamental como eixo da dinâmica urbana?"

Ainda sem resposta para o questionamento, o grupo traz a tona três experiências: os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), a Copa do Mundo na África do Sul (2010) e os Jogos Olímpicos de Londres (2012).

No foco dos eventos, o pilar principal abordado é a cultura, que na maioria dos casos foi fator preponderante para que os países conseguissem ser sede dos eventos esportivos. Mas nem todos tiveram resultados positivos.

"Na Copa da África do Sul o governo do país não apenas foi pouco ambicioso nesse quesito, como também parece tê-lo negligenciado ao longo do processo, prejudicando a possibilidade de gerar um legado cultural", destaca Ana. 

Já em Londres, que sediará as Olimpíadas este ano, a situação é mais animadora com a preocupação em polinizar as atividades culturais em todo o país.

Mas a especialista ressalta que o reconhecimento da cultura como plataforma de desenvolvimento da cidade se faz mais evidente em Barcelona quando recebeu em 1992, o mesmo evento. "A Olimpíada foram um instrumento eficaz de reinvenção e projeção mundial da capital catalã", ressalta na obra.

Em economia criativa, segundo Ana, se os setores culturais não forem incorporados nos departamentos do governo, de forma transversal, os escritórios formados para gerenciar as atividades nas cidades sede da Copa não saberão como dar visibilidade à cultura local e menos ainda como garantir um legado à cultura e às indústrias criativas.

"Além disso, há o risco de o escritório local encarregado dos jogos não gerar sinergias com os departamentos culturais locais resultando na perda de inúmeras oportunidades", destaca.

O Brasil, deve receber 500 mil turistas estrangeiros para a Copa em 2014 e terá 12 cidades-sede durante o evento.

"É preciso desenvolver atividades culturais para atrair o turistas para outras cidades que não fazem parte desse roteiro e dessa forma incentivar a economia e a cultura locais. Mas para que isso ocorra é preciso planejamento e parcerias entre instituições públicas e privadas para desenvolver projetos criativos."

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