Negócios

19/03/12 | 17:13 - Atualizado em: 19/03/12 | 17:13

Em 30 anos, produtividade da indústria nacional caiu 15%

Na China houve aumento de 808% no período, reflexo de investimentos em tecnologia e educação.

Chrystiane Silva redacao@brasileconomico.com.br
Apesar de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem uma baixa absorção de tecnologia e inovação

Nos últimos meses, a indústria brasileira tem amargado péssimos resultados. Praticamente estagnado, o setor sofre com os altos custos para produzir, com a concorrência dos produtos importados e também com a baixa produtividade dos trabalhadores.

Nos últimos 30 anos, a produtividade dos colaboradores da indústria de transformação caiu 15%. Esse indicador é calculado pelas horas trabalhadas e pelo número de funcionários do setor.

No mesmo período, a produtividade dos chineses aumentou 808%. Os dados fazem parte de estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

A China é a principal potência mundial e é natural que a produtividade dos seus trabalhadores seja maior. Mas o Brasil também ficou atrás do desempenho de vizinhos como o Chile, que apresentou aumento de 82,11%, e da Argentina, que cresceu 16,98% nos últimos 30 anos.

O que há de errado com o desempenho do Brasil?

Crescimento sustentado

O aumento da produtividade é uma condição fundamental para o crescimento sustentado. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho pífio da produtividade no país estão as deficiências de educação e infraestrutura.

Cada vez mais, as indústrias usam equipamentos tecnológicos sofisticados e exigem uma boa formação educacional dos seus trabalhadores, mas apenas 20% dos funcionários do setor terminaram a universidade. Além disso, o Brasil ainda tem uma baixa integração com a economia global.

O indicador que mede a abertura comercial é a proporção do comércio exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Quanto mais alto, melhor para a economia do país. Nos últimos três anos, ele ficou em 11% em média. Na Argentina, o mesmo indicador ficou em 20%.

Apesar de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem uma baixa absorção de tecnologia e inovação em muitos setores, sem contar com as dificuldades burocráticas para abrir empresas.

"O país precisaria crescer 4% ao ano para acomodar os aumentos salariais e competir com os produtos importados. O Brasil está se dando ao luxo de ter os maiores custos de produção do mundo, matando a indústria", diz Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Solução demorada

Para um país que precisa crescer, a baixa produtividade é um fator preocupante. "É um obstáculo que cria barreiras à competitividade externa. É preciso pensar em uma estratégia consistente de desenvolvimento industrial", diz Gabriel Coelho Squeff, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) e autor do estudo sobre produtividade na indústria entre 1980 e 2009.

No curto prazo, com a instabilidade internacional devido à crise mundial, que se manifesta pela queda no comércio internacional e pela aversão ao risco por parte dos empresários e dos consumidores, vai ser preciso ter mais dinamismo na relação entre a produção e os trabalhadores para reativar o crescimento.

"A estrutura produtiva também precisa ser diversificada, mas não há indícios de que essas trajetórias sejam revertidas no curto prazo", diz Squeff.

Para crescer de maneira sustentada, o país vai precisar seguir o exemplo das nações que investiram em educação e hoje registram crescimento econômico como China e Coreia do Sul.