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18/05/12 | 19:56 - Atualizado em: 18/05/12 | 19:56

Executivos do setor financeiro viram “queridinhos” de outras áreas

Empresas dos mais diversos segmentos querem agregar ao seu negócio a experiência dos profissionais de bancos.

Ana Paula Ribeiro redacao@brasileconomico.com.br
As empresas do setor de consumo são o destino de 60% dos profissionais da indústria financeira

As portas estão cada vez mais abertas para os executivos da indústria financeira. Se antes o caminho era trilhar carreira em apenas uma instituição ou no máximo ser disputado pelo concorrente, agora a possibilidade de navegar em outras áreas é cada vez maior.

O aquecimento da economia, a maior concorrência, profissionalização e a sofisticação das estruturas financeiras das empresas são fatores que têm estimulado a ida de executivos da indústria financeira para companhias dos mais diversos setores.

Antes, o diretor financeiro de uma empresa se preocupava basicamente com o gerenciamento de seu fluxo de caixa e, para financiar o crescimento de seus negócios, bastava lidar com empréstimos bancários.

Agora, com a empresa ganhando musculatura, tudo mudou. É preciso que ele saiba encontrar soluções mais estruturadas para o desenvolvimento de sua companhia, qualidade que o torna cada vez mais atraente.

Renata Fabrini, sócia da consultoria de recrutamento de executivos Fesa, explica que o desenvolvimento do mercado de capitais ajudou nessa migração. "Além disso, as companhias estão mais agressivas na contratação de executivos qualificados", diz.

Nessa disputa, as saídas de executivos do setor financeiro, notadamente de bancos, para outras companhias tornam-se naturais, em especial pelo treinamento recebido por eles ao longo da carreira. "O mercado financeiro sempre foi sofisticado em sua gestão de recursos humanos, investindo no desenvolvimento das pessoas", afirma Renata.

Esse é o caso do executivo responsável pela área financeira (CFO) da JBS nos Estados Unidos. Há um ano na empresa, Denilson Molina assumiu o cargo há pouco mais de um mês. Antes de partir para o setor de alimentos, sua carreira foi construída no Banco do Brasil, onde ficou quase 20 anos e era diretor de cartões.

Levantamento da Fesa com base nas movimentações de altos executivos (a partir de gerência sênior) no Brasil desde 2009 mostra que a cada ano dobra o número dos profissionais da indústria financeira que foram para outras áreas.

Neste ano, o crescimento no primeiro trimestre é de 88% em relação a igual período do ano passado, mas a tendência é de crescimento ainda maior, já que é esperado um aquecimento da economia.

Ainda de acordo com o estudo, setor de consumo e "life sciences" (ramos de matérias primas para áreas como cosméticos e alimentos) são os que mais recebem esses executivos.

Muitas vezes, o que as empresas buscam é tirar proveito da experiência que o executivo financeiro acumulou na sua carreira. O Magazine Luiza, antes de abrir o capital, contratou em 2009 o diretor financeiro da então Visanet (hoje Cielo) para comandar a sua oferta de ações. Vitor Fabiano ficou na empresa por um ano e hoje está na Bunge, também responsável pela diretoria financeira.

De acordo com Nogueira, as áreas financeira, marketing e segurança são as que mais atraem os olhares. "As companhias estão cada vez mais pensando em governança corporativa e as familiares estão se profissionalizando e para isso buscam os especialistas em cada área", diz.

Na área financeira, as empresas, segundo Nogueira, estão interessadas nos executivos de bancos habituados com gestão de risco e normas. "Além dessa experiência que poderia agregar à contratante, parte da atribuição de um diretor financeiro, por exemplo, é justamente o relacionamento com bancos", diz Nogueira, justificando a demanda por esses profissionais.

No caso dos executivos de bancos da área de segurança, são as empresas de tecnologia as mais interessadas neles.

Por último, aparecem os profissionais de marketing da indústria financeira como os mais requisitados, por estarem acostumados a lidar com linguagens para públicos diversos e patrocínios. "São bancos e empresas de cartões os grandes patrocinadores hoje e também são agressivos em suas estratégias", considera.

Nogueira lembra, no entanto, que essa migração de área também depende do perfil do executivo, que precisa ser receptivo a trabalhar em novos ambientes.