Goldman Sachs é acusado por ocultar déficit da Grécia
O Goldman Sachs administrou a venda de bônus para a Grécia por US$ 15 bilhões, após organizar uma permuta cambial que permitiu ao governo ocultar a magnitude do seu déficit fiscal.
A informação foi divulgada hoje (17) pela Bloomberg News.
A instituição financeira não mencionou a operação de "swap" nos seus documentos em pelo menos seis das 10 vendas que organizou para a Grécia, segundo uma revisão dos prospectos feita pela Bloomberg News.
O banco americano ajudou a Grécia a captar US$ 1 bilhão em fundos não incluídos no balanço de 2002 mediante permuta, fato este que foi questionado por reguladores da União Europeia (UE).
Não revelar a permuta permitiu ao Goldman Sachs e a Grécia conseguirem um melhor preço, disse Bill Blain, co-diretor de renda fixa da Matrix Corporate Capital, empresa britânica de intermediação e administração de fundos.
"O preço dos bônus deveria refletir a realidade da dívida grega", disse Blain. "Se um banco os vendia aos investidores com base na informação divulgada publicamente, e estavam conscientes de que as cifras eram incorretas, então os investidores foram enganados", acrescentou.
Michael DuVally, porta-voz do Goldman Sachs, que preferiu não opinar mais sobre o assunto.
O Goldman Sachs, banco mais rentável de Wall Street, está sendo fortemente criticado por políticos europeus, como os Democratas Cristianos da Alemanha, que questionam se a firma ajudou a Grécia a ocultar seu déficit para cumprir com os critérios de permanência na Zona do Euro.
A Grécia também tem sido acusada por outros países da região por não ter revelado os swaps aos reguladores da UE.
O banco americano ganhou € 735 milhões (US$ 1 bilhão) colocando bônus do governo grego desde 2002, segundo dados copilados pela Bloomberg News.
Os prospectos de seis das 10 vendas de bônus não mencionam as permutas. A equipe da Bloomberg News não conseguiu ter acesso aos demais prospectos.