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Negócios

18/07/11 | 14:18 - Atualizado em: 18/07/11 | 14:18

Governo prepara a troca de material didático por tablet

Editais para compra de material escolar de 2014 preveem conteúdo digital. Editoras organizam-se para atender à demanda.

Carolina Pereira e Regiane de Oliveira redacao@brasileconomico.com.br
Bibliotecas de escolas públicas também ganharão versão digital de livros a partir de 2014

Várias escolas da rede pública do Estado de São Paulo ficaram sem livro didático no início do primeiro semestre. Problemas de logística do fornecedor, que entregou o material a partir de abril, teriam provocado o atraso.

O caso é considerado pontual pelo governo federal, mas não minimiza o prejuízo aos alunos. Nada disso ocorreria se, em vez de encomendar os livros e aguardar por meses a entrega, a escola pudesse baixar os conteúdos em seu servidor e disponibilizá-los aos estudantes por meio de tablets, por exemplo. Sonho? Não pelos planos do governo.

A produção de conteúdos para tablets deve fazer parte do edital de licitação do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2014, cujos livros serão entregues ainda em 2013. Ao menos é o que esperam as principais editoras fornecedoras do governo, que, mais do que migrar seus conteúdos impressos para versões digitais, disputam a criação de conteúdos interativos adequados às novas demandas da educação.

"O foco é sair do ensino de massa, para um ensino individualizado. E as novas tecnologias vão permitir isso", diz Tadeu Terra, diretor de mídias digitais da Pearson Brasil.

O movimento no país é mais lento se comparado ao da Coreia do Sul, que deve investir US$ 2 bilhões nos próximos quatro anos para substituir os livros didáticos por conteúdo digital via tablet.

Porém, os planos aqui são mais audaciosos. Está em jogo não só o orçamento atual do PNLD, de R$ 1,3 bilhão para 2012, mas também o potencial de aumentos dos recursos para a educação, com as discussões sobre novo Plano Nacional de Educação, que está na Câmara e deve ser votado ainda neste ano. A expectativa é que as verbas passem de 5% do Produto Interno Bruto para 7% pelo menos.

As maiores editoras de livros didáticos se preparam para essa demanda, que já ocorre por parte dos colégios particulares. A Abril Educação, que engloba as editoras Ática e Scipione, está testando o potencial deste mercado com o livro Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, o primeiro a ter versão para tablet.

Segundo Ana Ralston, diretora de tecnologia da empresa, foram dois meses para desenvolver o produto, que tem mais de 200 recursos interativos integrados.

A obra é usada em algumas escolas em aulas de cidadania para o ensino médio e é uma maneira de a editora ver qual será a aceitação para o formato.

Em 2012, a Abril acredita que cem dos seus 3 mil títulos didáticos terão formato digital. Por enquanto, a demanda se limita aos grandes colégios particulares, principalmente de São Paulo, mas Ana espera que dentro de dois anos o governo também comece os processos de compra deste tipo de material. "Vai haver uma ampliação da avaliação dos conteúdos digitais", diz.

No mercado de livros didáticos em papel, a Abril Educação é hoje a principal fornecedora do PNLD, com 558 títulos, um contrato de cerca de R$ 270 milhões. Os esforços da empresa, agora, se concentram no preparo para a demanda por digital.

Outra grande editora, a Positivo, também caminha nessa direção. Ela vai lançar ainda este ano conteúdos para tablet. Todas as 2,4 mil escolas conveniadas ao sistema Positivo de ensino poderão usar o material em 2012 e, segundo Emerson Santos, diretor geral da editora, por enquanto não é cobrado valor adicional pelo material.

"As novas edições já nasceram pensadas para a plataforma digital", diz. "Os alunos hoje vivem em um mundo mais interativo, é preciso estimular o uso de conteúdo digital".

Para o PNLD, Santos acredita que a maior dificuldade para o governo não seja a tecnologia, e sim o modelo de ensino, que precisa ir além do convencional.

"Ninguém ainda tem a resposta sobre o que vai acontecer, mas a preocupação existe", afirma. Hoje, a Positivo é a quarta maior fornecedora do governo, com 114 títulos disponibilizados em 2011, no valor total de R$ 27,1 milhões.

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