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Negócios

11/09/13 | 12:50 - Atualizado em: 11/09/13 | 12:50

O Programa “Mais médicos” e a mais-valia cubana

O programa “Mais médicos” foi só um engodo criado para tentar legitimar a vinda dos médicos cubanos, já acertada há quase dois anos, como admite a própria cúpula petista

Rodrigo Sias redacao@brasileconomico.com.br

"A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista apresenta-se como uma imensa acumulação de mercadorias". Assim começa o famoso livro "O Capital", base para a teoria marxista de economia e na qual são desenvolvidos diversos conceitos para caracterizar o sistema capitalista. Das primeiras linhas, vê-se que, na visão de Karl Marx, tudo nesse sistema seria transformado em mercadoria, inclusive a mão de obra. O trabalhador seria desprovido dos meios de produção, o que o obrigaria a vender sua força de trabalho para a classe capitalista.

Desta relação, surgiria a "mais-valia", que é a materialização de trabalho não remunerado: o trabalhador receberia apenas para subsistência e não o produto total de seu esforço produtivo. Justamente essa extorsão disfarçada seria a chave para entender a acumulação de capital.

Outro conceito, chamado de "exército industrial de reserva", seria a enorme força de trabalho desempregada que impediria que os salários subissem, funcionando como ferramenta para a manutenção da mais-valia.

As conclusões teóricas, a partir desses conceitos à priori seriam as seguintes: o trabalhador seria explorado pelos capitalistas, que não pagam o que deveriam; também não seria livre, pois haveria uma coerção econômica implícita; e, sua condição de vida seria continuamente piorada (precarização da mão de obra) com a acumulação de capital nas mãos de poucos.

Aplicados ao capitalismo, todos esses conceitos - e suas conclusões - não se encaixam à realidade e foram devidamente refutados no plano teórico por pensadores como Böhm-Bawerk e Mises.

No entanto, tais conceitos adequam-se perfeitamente à realidade de sistemas socialistas. Citar o "exército de mão de obra industrial" existente na China comunista, onde ainda hoje os trabalhadores ganham salários de fome, é lugar comum. Mas querem ver um exemplo mais claro? O acordo para "importar" médicos cubanos, assinado pelo governo brasileiro.

No acordo, temos um gritante exemplo de mais-valia: o médico recebe 30% do valor de seu trabalho, enquanto o governo cubano embolsa os outros 70%. A precarização da mão de obra e a coerção são exemplificadas pelo regime de trabalho ao qual serão submetidos, vigiados dia e noite, com passaportes confiscados e o pagamento efetuado diretamente às autoridades cubanas, que virtualmente são seus donos. Aliás, o que poderia significar maior precarização que praticamente ignorar a Lei Áurea de 1888?

Os médicos cubanos são considerados "estoques" de mercadorias a serem exportadas. Em 2011, o governo cubano arrecadou quase US$ 8 bilhões - em acordos parecidos, firmados com países como Venezuela e Bolívia -, valor superior a todas as exportações do país.

Portanto, também é no socialismo cubano que o trabalhador se torna mera mercadoria, e não num sistema capitalista. Por sinal, como não considerar essa imensa massa de médicos como um exército industrial de reserva?

O programa "Mais médicos" foi só um engodo criado para tentar legitimar a vinda dos médicos cubanos, já acertada há quase dois anos, como admite a própria cúpula petista.

No fundo, o governo brasileiro quer é sustentar o regime comunista dos irmãos Castro, ao qual nossos governantes devem fidelidade ideológica de longa data.

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Rodrigo Sias é economista pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 

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