Negócios

22/03/13 | 10:57 - Atualizado em: 22/03/13 | 10:57

Operadoras investem R$ 200 mi em antenas 4G em estádios

Cobertura especial para ambientes fechados também será usada nos aeroportos das cidades-sede da Copa.

Juliana Garçon redacao@brasileconomico.com.br
A SindiTelebrasil estima que, ao todo, são necessárias 9.566 antenas novas nas cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo

Ao mesmo tempo em que pressionam os parlamentares para que a Lei das Antenas tramite nas comissões da Câmara, as operadoras de telefonia celular buscam alternativas para cumprir o compromisso de oferecer serviço de quarta tecnologia (4G) nas cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014.

Em 12 estádios, serão reservadas salas para instalação de equipamentos que vão prover o sinal. A implementação custará R$ 200 milhões, de acordo com o SindiTelebrasil, que representa as operadoras. O sistema, que usa fibra ótica para percorrer as instalações dos recintos, também será levado aos aeroportos das capitais que terão jogos, com aporte de R$ 120 milhões.

O edital de licitação do serviço 4G, realizado em abril de 2012, exige que a tecnologia esteja disponível nas 12 cidades-sede da Copa até dezembro deste ano. A associação estima que, ao todo, são necessárias novas 9.566 antenas nas cidades-sede.

"Cumpriremos a exigência, ainda que em alguns seja preciso usar liminares para garantir a instalação de antenas", diz Eduardo Levy, diretor-executivo do SindiTelebrasil.

As dificuldades para obter licenças de instalação das estruturas está levando as operadoras a buscar inovações. A Telefonica Vivo criou um sistema para permitir que as antenas se apoiem em postes de luz.

A empresa liberou a tecnologia para adoção por outras operadoras, processo do qual o SindiTelebrasil está encarregado.

"Temos um fórum de engenharia trabalhando com as empresas e as prefeituras para oferecer padronização das instalações", diz Levy.

Além dos postes de luz, as operadoras pretendem usar abrigos para ponto de ônibus como "suporte" para as antenas. "A padronização deve facilitar o convencimento das prefeituras, que verão que a instalação pode ser feita com uniformidade e segurança."

Trâmite acelerado

A expectativa no setor é que a nova Lei das Antenas (PL 5013/2013) seja aprovada ainda neste semestre, pois a pauta é de interesse do governo.

O senador Vital do Rego (PMDB-PB), autor do projeto de lei, está pressionando os presidentes das Comissões de Ciência e Tecnologia, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), e de Desenvolvimento Urbano, Sérgio Moraes (PTB-RS). "Acho que vão abraçar a causa, até porque é um tema que provoca convergência", anima-se Vital do Rego.

Apesar da ansiedade em relação à aprovação do PL, está claro que a lei federal não resolverá todas as dificuldades para a instalação de antenas, pois os municípios continuarão tendo o direito de legislação sobre o uso do solo.

"O direito municipal tem de ser respeitado. Mas não pode fixar limites de frequência ou periodicidade de vistorias", afirma Eduardo Levy. "Seja como for, a tramitação do projeto traz o tema ao debate e ajuda a sensibilizar as autoridades locais sobre a necessidade de adequar as legislações. Já vemos algumas prefeituras mais compreensivas."

As 250 leis municipais sobre o assunto são o principal obstáculo às antenas. Para advogar pela adequação das normas, o SindiTelebrasil fez um estudo mostrando que a adoção de leis nacionais é a prática mais usada internacionalmente para implantação de infraestrutura de telefonia móvel. Foram pesquisadas as normas aplicadas em Barcelona, Londres, Nova York, Paris e Sydney.