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11/04/10 | 07:06 - Atualizado em: 11/04/10 | 07:06

Rio inaugura sua primeira usina de biodiesel sanitário

Capital fluminense começa a produzir esta semana alguns litros do biocombustível feito a partir de esgoto em um universo potencial de 220 milhões ao ano no país.

Nivaldo Souza redacao@brasileconomico.com.br
Usina está pronta para produzir 100 litros diários do biocombustível, diz Luciano Basto

A estação de tratamento de esgoto (ETE) Alegria será a primeira do planeta a adotar métodos para aproveitar todo o potencial energético de dejetos sanitários.

A partir de amanhã, a unidade instalada no bairro do Caju, zona norte do Rio de Janeiro, terá os equipamentos necessários para produzir 100 litros diários de biodiesel feito da gordura presente no esgoto.

À primeira vista modesto, o volume é a ponta de uma reserva que pode render ao país mais uma fonte renovável para a frota de veículos - principalmente para reduzir o consumo de petróleo, cujas reservas mundiais diminuem de 7% a 10% anualmente.

O biocombustível da Alegria será o pontapé inicial em campo no qual o Brasil tem potencial para 220 milhões de litros de biodiesel ao ano - cálculo que toma como base o tratamento atual de apenas 42% do esgoto gerado no país.

A investida é coordenada pelo Centro de Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), iniciada em 2003 com investimentos que somam R$ 4,2 milhões do governo estadual e R$ 500 mil da fundação carioca de amparo à pesquisa (Faperj).

Mix de pesquisa acadêmica com foco na agregação de valor para a geração de negócios, o projeto é desenvolvido em parceria com empresas participantes da incubadora do Coppe, como a Eco100 Energia e a Acesa Energia.

Tanto que a patente da caixa de gordura, método inovador na captação do material presente em dejetos sanitários, é da Eco100. Enquanto o processo de produção do biodiesel a partir da escuma de esgoto acumulada em tanques da ETE estão sob patente da Coppe.

As iniciativas envolveram dez especialistas, como engenheiros, físicos e até matemáticos, como o coordenador do projeto Luciano Basto, doutor em planejamento energético com ênfase ambiental pela UFRJ.

"Fizemos um trabalho em laboratório com testes, desenhamos a usina e mandamos construí-la. Está tudo pronto para começarmos a produzir a partir desta terça-feira, quando chegam enzimas necessárias para o processo", afirma.

O Brasil começa, assim, a olhar para o esgoto como uma fonte com potencial energético e econômico. Passo importante para um país onde apenas 60% dos dejetos sanitários são recolhidos e, dentro desse percentual, apenas 42% recebe tratamento.

O flanco que se abre amanhã no Rio é da possibilidade de utilizar o "saneamento energético" para gerar 11% da demanda estabelecida pelo Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel.

"Temos a patente desse processo (biodiesel) e não temos concorrência. Agora, o governo precisa obrigar as empresas a construírem usinas", diz o pesquisador.