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20/10/10 | 18:38 - Atualizado em: 20/10/10 | 18:38

Sedes ruins de bola traçam planos pós-Copa

Sem tradição no futebol, Brasília, Cuiabá, Natal e Manaus fazem obras no entorno para que estádios não virem elefantes brancos.

Fábio Suzuki redacao@brasileconomico.com.br
Brasiliense (de amarelo), da segunda divisão, será a grande estrela a se apresentar no estádio Mané Garrincha após a reforma milionária

Se não bastassem os valores elevados para a reforma e construção dos estádios que receberão os jogos da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, quatro cidades- sede escolhidas para o evento terão que investir em projetos adicionais para evitar que as novas arenas fiquem abandonadas e com altos custos de manutenção após o torneio.

Por terem times de pouca expressão no esporte mais popular do país, Cuiabá, Manaus, Natal e Brasília têm grande potencial de ter que lidar com um elefante branco ao término do Mundial de futebol.

Estudo recente realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que essas quatro cidades são as que mais preocupam em relação aos altos investimentos realizados em seus estádios, cujos valores estimados até o momento somam R$ 1,9 bilhão.

Para evitar o abandono das arenas após o torneio, esses locais já planejam obras no entorno para atrair visitantes e movimentar a região. Entre as iniciativas estão parques, centros esportivos, restaurantes, shop-pings e hotéis que, mesmo com a participação da iniciativa privada, demandarão investimentos públicos para as obras.

A preocupação com a sustentabilidade dos novos estádios nesses locais aumenta pela pouca tradição de seus times de futebol no cenário nacional do esporte. Dos dez clubes de maior expressão dessas cidades, nenhum disputa a 1ª Divisão do Campeonato Brasileiro e apenas dois deles figuram na 2ª Divisão da competição, sendo que ambos estariam rebaixados caso o torneio terminasse hoje: América-RN e Brasiliense-DF.

Alta nos custos

À frente da Subcomissão de Fiscalização da Copa de 2014, o deputado federal Sílvio Torres alerta para as dificuldades que esses locais terão para manter os custos dos estádios após o campeonato mundial. Além da pouca tradição no futebol, Torres aponta o baixo poder aquisitivo da população como um fator que dificultará a atração de investidores.

"Além do investimento de quase R$ 2 bilhões, haverá os custos adicionais para mantê-los. A situação é bastante preocupante e não sei como vão resolver esse problema", avalia Torres, citando que todo o montante inserido nas obras "será para a realização de apenas três jogos durante a Copa". A Arena Amazônia, em Manaus, por exemplo, terá custo de manutenção anual de R$ 5 milhões .

Projetos

Sabendo das dificuldades de manter seus estádios apenas com as partidas locais de futebol, as quatro cidades-sede têm projetos para o entorno das arenas que chegam a R$ 125 milhões. Esse é o caso de Cuiabá, cujo planejamento inclui a construção de um centro aquático, pista para esportes radicais, quadra poliesportiva e um parque, além de vias de acesso direto à nova arena.

"Temos a consciência de que o futebol mato-grossense não sustenta o novo estádio. E o projeto tem um papel importante de valorização urbanística, pois a arena está sendo construída em uma região decadente", explica Carlos Brito, diretor de infraestrutura da Agecopa, agência responsável pelas obras na capital do Mato Grosso.

Com projeto semelhante, Manaus investirá cerca de R$ 70 milhões nas obras ao redor da Arena Amazônia, que incluem um centro de convenções, ginásio poliesportivo e reforma do sambódromo, utilizado para eventos da cultura regional. Ambas as cidades-sede contaram com trabalhos da consultoria Deloitte para tornar os projetos sustentáveis.

Já em Natal há um projeto, ainda não aprovado, de um grande complexo na região da Arena das Dunas que inclui a construção de estabelecimentos comerciais, edifícios residenciais e um parque, cujo custo estimado é de R$ 1,2 bilhão.