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Negócios

16/05/10 | 07:15 - Atualizado em: 16/05/10 | 07:15

Tecnologia torna rápida a construção de novas casas

Sem formação acadêmica mas com boa visão de conjunto, o mestre de obras Sidnei Borges percebeu que a tecnologia poderia agilizar o lento processo da construção de casas.

Amanda Vidigal Amorim redacao@brasileconomico.com.br
A BS atua principalmente na construção de casas populares

Morador do sul do país, desde quando era pedreiro ele não se conformava com a lentidão de assentar um tijolo sobre outro. "Eu sempre imaginava algumas máquinas que pudessem agilizar o meu trabalho."

Com o tempo e a experiência, Borges tocou algumas obras por conta própria, conseguindo fazer o seu pé de meia.

Em 1994 mudou-se para o Mato Grosso, onde percebeu um nicho de oportunidade. "Montamos uma empresa de construção de armazéns e silos, sem nenhum dinheiro e apenas com o capital humano. A empresa deu certo", afirma Borges.

Durante a obra de uma granja encomendada pela Sadia, Borges teve uma ideia. Ao desenhar janelas e portas em uma caixa de sapato, surgiu o insight. Ao invés de construir casas da forma convencional, elas poderiam ser feitas em blocos pré-moldados.

"Tive um estalo, olhei para a caixa e percebi que deveríamos fazer casas que viessem prontas da fábrica".

A Sadia veio a calhar. Ela procurava uma empresa para fazer em tempo recorde 1,5 mil casas para os funcionários, e não estava encontrando nenhuma disposta a aceitar o desafio.

"Fiz o primeiro protótipo e mostrei para o diretor da empresa na época, que se encantou e acreditou que conseguiríamos fazer no prazo estipulado. Em menos de um mês, sem nunca ter feito nada de habitação, eu preparava a primeira grande obra da BS", afirma Borges.

Um mês antes do previsto, as 1,5 mil casas pré-moldadas estavam prontas.

Hoje, há quatro fábricas distribuídas em Rondônia, Mato Grosso do Sul, Acre e Pernambuco, com capacidade para produzir 10 mil unidades por ano.

Até o fim de 2010, com a abertura de mais duas fábricas, no Rio de Janeiro e na Paraíba, a capacidade produtiva crescerá para 20 mil unidades.

As fábricas produzem 10 casas por dia, com todos os cômodos.

"Quando o carreto sai da fábrica, ele leva na carroceria dois quartos, sala e banheiro, além de toda a fiação e encanamento embutidos nas paredes".

Em uma hora a casa será montada no canteiro de obra, e em mais quatro a estrutura do telhado será finalizada. Ao fim do dia, a casa estará em pé e com acabamento.

Com 14 anos no mercado, a empresa espera o registro de sua patente, já que a tecnologia de produção foi desenvolvida por Borges.

"Nosso sistema é muito diferente das empresas que constroem casas pré-moldadas, não fazemos paredes para depois montar e dar acabamento, instalamos o cômodo inteiro", afirma Marcelo Miranda, atual CEO da empresa.

O caso da BS confirma o conceito de Juliano Seabra, diretor de educação e pesquisa da Endeavor, segundo o qual a falta de formação acadêmica não limita o empreendedor.

"Quando alguém possui grande conhecimento na sua área de atuação, ele consegue inovar dentro do seu negócio".

Essa possibilidade levou a empresa a faturar R$ 200 milhões em 2009 e a planejar atingir R$ 500 milhões este ano.

Além das construções no Brasil, Borges assinou no mês passado um memorando de entendimento com o governo da África do Sul.

"Vamos entrar no mercado internacional. Até o próximo ano teremos uma fábrica na África ou na América Latina", planeja Miranda.

Pela característica do negócio, as fábricas só conseguem atender a uma região de até 300 quilômetros de entorno, daí a necessidade de haver novas unidades para o crescimento da empresa.

Segundo Miranda, a estrutura fixa das fábricas compensa. "Com um pessoal bem treinado conseguimos uma produção de qualidade e ágil, o que reduz o custo da construção".

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