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Negócios

01/11/13 | 12:18 - Atualizado em: 01/11/13 | 12:18

Tubarão Martelo é a aposta de recuperação da OGX

O campo, que já teve reservas 'rebaixadas' duas vezes, é apresentado em plano de recuperação judicial como salvação para a petroleira

Nicola Pamplona redacao@brasileconomico.com.br
A expectativa da empresa é levantar US$ 11 bilhões com a produção da área. Foto: Divulgação

Arrematada por R$ 364 milhões na 9ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2007, a área onde se encontra o campo de Tubarão Martelo é hoje a principal aposta para a sobrevivência da petroleira OGX, de Eike Batista.

O projeto, que é motivo de disputa entre a empresa do grupo de Eike Batista e a malaia Petronas, é apresentado no pedido de recuperação judicial entregue à Justiça na quinta-feira como a tábua de salvação para a empresa, pelo potencial gerador de receitas no curto prazo. Segundo fontes, a previsão é de início das operações em até três semanas.

"Foram cinco anos de pesados investimentos e esforços para chegar-se ao momento em que a plataforma OSX-3 fosse instalada no campo, permitindo o início de sua produção. Isso ocorrerá nas próximas semanas, o que propiciará um substancial fluxo de receitas novas para a OGX", diz o documento entregue à Justiça do Rio.

Segundo estimativas da consultoria americana DeGolyer & MacNaughton (Demac), o projeto pode render, ao longo de sua vida útil, US$ 11 bilhões. Projeção apresentada pela OGX a investidores indica que, já em 2014, o caixa gerado pelo projeto chegaria a US$ 349,2 milhões. "Garante o custeio da empresa e o pagamento de primeiras dívidas", diz uma fonte.

A plataforma OSX-3 já está instalada sobre as reservas e passa por ajustes finais antes de entrar em produção, diz a fonte. O início do processo de recuperação judicial teve como objetivo proteger a empresa de pedidos de falência enquanto convence credores de que pode voltar a gerar caixa. Como resultado de um acordo anunciado nesta quinta-feira com a alemã E.ON, a OGX receberá R$ 200 milhões pela venda de suas ações na OGX Maranhão. Os recursos serão destinados integralmente ao projeto de Tubarão Martelo. A OGX esperava receber US$ 850 milhões pela venda de 40% de Tubarão Martelo à Petronas, mas o aporte foi suspenso pela malaia diante das notícias sobre a situação financeira da empresa de Eike.

O plano de recuperação judicial da OGX usa ainda como justificativa a proximidade do início das operações do projeto BS-4, que contempla o desenvolvimento de dois campos de petróleo na Bacia de Santos, que teriam potencial de geração de US$ 6,2 bilhões, também de acordo com estimativas da Demac, segundo os advogados da OGX. O projeto é operado pela Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP). "Já se vê que as impetrantes têm motivos de sobra para acreditar em um resultado altamente favorável deste processo de recuperação judicial, de modo a atender aos interesses de seus acionistas, trabalhadores, credores e da sociedade como um todo", diz o documento.

No mercado, porém, há ceticismo com relação às projeções, uma vez que a OGX já reviu para baixo suas estimativas - inclusive sobre Tubarão Martelo - mais de uma vez. No começo de outubro, em fato relevante, a empresa informou que as reservas estimadas no projeto eram equivalentes a 1/3 da projeção inicial. O campo está localizado em dois blocos exploratórios, BM-C-39 e BM-C-40, o primeiro arrematado por R$ 237,2 milhões, em um leilão sem concorrentes, o que gerou surpresa no mercado. Foi o segundo maior lance daquele leilão.

Minoritários não creem em recuperação da empresa

A sequência de vendas de ações da OGX por seu controlador, Eike Batista, é vista por minoritários como um sinal de que a companhia terá dificuldades para sair do processo de recuperação judicial. Em apenas cinco meses, os mais graves da crise da petroleira, Batista vendeu R$ 308,4 milhões em ações da petroleira, que aguarda para a próxima semana a análise, na Justiça, do pedido de recuperação judicial. Foram 14 operações, entre maio e setembro, segundo informações disponibilizadas pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Se a empresa tivesse a menor chance de voltar a ser rentável, ele teria colocado dinheiro e não retirado", diz um dos líderes dos minoritários descontentes da OGX, Aurélio Valporto, referindo-se à cláusula de injeção de US$ 1 bilhão na empresa, assinada no final de 2012 e contestada este ano por Batista. O empresário e a OGX abriram arbitragem para discutir a validade da cláusula, acionada pela empresa no mês passado em uma tentativa de evitar a recuperação judicial.

A venda de ações no momento mais agudo da crise é criticada pelos minoritários, que acusam Eike Batista de uso de informação privilegiada. Em junho, mês anterior ao anúncio da frustração com as expectativas dos campos de Tubarão Branco, Tubarão Gato e Tubarão Tigre, que aprofundou a crise de confiança na empresa, o controlador da OGX realizou cinco operações de venda, no valor de R$ 75 milhões. Na ocasião, os investidores cobraram investigação da CVM.

Valporto diz não acreditar em salvação para a OGX, principalmente depois do anúncio,feito nesta quinta-feira, de venda dos campos de gás do Maranhão para a alemã E.ON e para o fundo Cambuhy. "É o último ativo que valia alguma coisa", comenta. A descrença no processo é compartilhada por Adriano Mezzomo, presidente da União dos Acionistas Minoritários do Grupo X (Unax), que também vê poucas chances de saída para a companhia. Os grupos de minoritários aguardam o andamento do processo de recuperação judicial para decidir por processos contra Eike Batista.

No pedido feito à Justiça, os advogados do empresário reforçam a tese de que exploração de petróleo é um negócio de risco e que Eike também foi prejudicado com a frustração de expectativas da empresa, um dos argumentos usados em sua defesa contra as acusações de gestão temerária e manipulação de informações. "Todos os comunicados, fatos relevantes e informações prestadas ao mercado sempre registraram longas advertências quanto aos potenciais riscos relacionados aos seus negócios", diz o documento entregue ao Tribunal de Justiça do Rio.

O texto ressalta que a empresa investiu R$ 3,6 bilhões em exploração e desenvolvimento de quatro campos de petróleo que acabaram se mostrando inviáveis. "A ninguém é dado precisar a quantia de óleo e de gás que encontrará", argumentam os advogados. Em sua defesa, Batista disse que também foi surpreendido com as informações repassadas por sua equipe.

 

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