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28/03/10 | 07:15 - Atualizado em: 28/03/10 | 07:15

Um bom negócio é facilitar a vida de universitários

Rede social Ebah!, voltada para estudantes, faturou R$ 500 mil em 2009. Troca de arquivos é o principal atrativo do site.

João Paulo Freitas redacao@brasileconomico.com.br
Freitas, criador do Ebah!, já planeja fazer parcerias com empresas e universidades

O Ebah!, rede social dedicada a universitários, tem com um dos seus principais serviços o compartilhamento de conteúdo e arquivos acadêmicos.

O site foi idealizado quando Renato Freitas, na época estudante de engenharia mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), decidiu criar uma solução para um problema comum em qualquer curso de ensino superior: a constante necessidade fazer cópias de materiais de apoio às aulas, o que demanda tempo e dinheiro dos estudantes.

Para isso, desenvolveu, durante as férias de meio de ano de 2006, um site voltado ao armazenamento do que antes ficava disponível somente na fotocopiadora da faculdade.

A iniciativa foi bem recebida pelos colegas e professores do curso e Freitas percebeu que o sistema poderia se tornar um negócio. Ele não estava errado. Evolução da ideia, o Ebah! faturou R$ 500 mil em 2009 e conta hoje com cerca de 760 mil usuário e aproximadamente 40 mil arquivos, entre apostilas, apresentações, resumos, vídeos e exercícios, a maior parte enviada por alunos.

Com base no crescimento atual - em média, 3 mil pessoas se cadastram no site por dia -, o empreendedor projeta um faturamento de R$ 1 milhão neste ano. Hoje, a principal fonte de receita é o sistema de anúncios do Google, mas o site já pensa em fazer parcerias com empresas e faculdades.

Apesar de ter cursado um dos mais cobiçados cursos de engenharia do país, Freitas nunca exerceu a profissão na qual se formou. Decisivas mesmo foram as horas dedicadas ao pequeno negócio que seu pai mantém, na área metalúrgica.

Foi lá que, desde os 16 anos, ele observou como administrar uma empresa. "Eu me espelhei bastante no meu pai. Via a dificuldade que é tocar um negócio próprio e achava aquilo extremamente desafiador", diz.

No começo, Freitas dedicava suas noites ao Ebah!, já que durante o dia continuou a trabalhar com o pai. No segundo semestre de 2008, decidiu empreender de modo definitivo.

"Meu pai me apoiou quando tomei a decisão e me instruiu sobre como abrir uma empresa", conta. Freitas passou, então, a se dedicar em tempo integral ao site, trabalhando sozinho em sua casa.

"Eu brincava com os meus amigos que teria um negócio, nem que fosse um carrinho de cachorro-quente", afirma. "Para empreender é preciso estar disposto a arriscar. O negócio pode, por exemplo, não dar dinheiro por um tempo."

Foi o que aconteceu com ele. Mas a situação financeira melhorou no começo de 2009 e Freitas mudou-se para seu primeiro escritório, contratando alguns funcionários.

Autodidata

O jovem empreendedor conta que precisou descobrir sozinho como lidar com os diversos aspectos técnicos relacionados à criação de uma rede social.

"Você aprende a ser autodidata na Poli. Isso me ajudou no Ebah! Eu comprava livros e estudava em casa", diz. "A Poli é uma faculdade muito difícil e lá dentro você resolve muitos problemas. As pessoas costumam usar essa habilidade em outras empresas. Eu quis usá-la para empreender."

Freitas, agora, quer fazer o Ebah! crescer. "Minha ambição é atrair uma parcela mais significativa dos universitários do Brasil. Quero que o site se torne uma referência em comunicação para esse público", afirma.

Ele prevê para abril a estreia de portais para cada curso dentro da rede social. "A minha ideia é que eles reúnam aquilo que é relevante para os estudantes, como oportunidades de estágio e informações sobre pessoas influentes em cada área, entre outras coisas. Esses portais já estão em desenvolvimento", diz.