12/12/2014 | 09:58 - Atualizado em: 12/12/2014 | 13:08

Petra Costa volta a mergulhar no universo íntimo feminino

Em “Olmo e A Gaivota”, a diretora imerge na mente de uma mulher durante os nove meses de sua gravidez e trabalha mais uma vez em território sinuoso entre o documentário e a ficção

Redação Brasil Econômico redacao@brasileconomico.com.br

No longametragem “Elena”, lançado em 2013, a diretora Petra Costa filma um mergulho profundo em pensamentos e memórias de sua própria história. Ao recontar a curta trajetória da irmã, que parte para Nova York aos 20 anos com a vontade de ser atriz de cinema, mas acaba morrendo de uma maneira trágica, Petra se debruça sobre um trauma latente a fim de desatar um nó. Através de uma linguagem delicada, o filme narra o reencontro de Petra e sua irmã, como uma necessidade para deixá-la, enfim, partir. Após sensibilizar público e crítica em “Elena”, a jovem diretora se mostra pronta para alçar voo em outro drama existencial. Em seu novo projeto “Olmo e A Gaivota”, codirigido com a dinamarquesa Lea Glob, Petra imerge dentro da mente de uma mulher durante os nove meses de sua gravidez. “O que me motiva a fazer cinema é a capacidade que ele tem de penetrar nos pensamentos das pessoas. Tentar chegar onde incomoda, porque é daí que sempre sai algo pulsante”, afirma a diretora, que também é atriz e tem formação em psicologia.

Menos melancólica que em “Elena”, Petra se coloca novamente no lugar da investigação de temáticas do subconsciente. Equilibrando-se em um difícil desafio, a diretora trabalha mais uma vez em território sinuoso entre o documentário e a ficção, ao trazer às telas outra experiência íntima. Em “Olmo e A Gaivota” ela narra um rito de passagem da vida da atriz Olivia Corisini, da companhia de teatro francesa “Théâtre Du Soleil”.

A diretora Petra Costa
Foto:  Divulgação

Inspiradas na obra “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, e na peça “A Gaivota” de Tchekhov, as diretoras Petra e Lea apresentam Olívia e seu namorado, Serge, interpretando suas próprias vidas. “A ficção funciona como um artifício, em que você consegue criar a passagem aos pensamentos mais secretos. Se utilizasse somente a linguagem do documentário seria mais difícil penetrar na história”, explica.

O filme, que foi produzido pela Zentropa (produtora dos filmes de Lars von Trier na Dinamarca) O Som e a Fúria, de Portugal, e Busca Vida Filmes, do Brasil, surgiu como um convite do festival dinamarquês “CPH:DOX”. As diretoras, que não se conheciam, tiveram uma semana para chegar a um tema comum. Após conflito de ideias, conseguiram alinhavar um meio termo entre seus objetivos individuais.

“O tempo inteiro o espírito crítico é forte quando se divide a direção. O exercício de conseguir compartilhar e negociar ideias é bastante trabalhoso. Apesar de difícil, acho que a diferença de olhares enriqueceu o produto final”, conta Petra.

Além das díspares culturas e interpretações que moldaram a narrativa, o roteiro ainda foi acrescido de um elemento surpresa. “Ficamos sabendo que a Olívia estava grávida após convidá-la, então, decidimos incorporar essa nova situação à narrativa, o que a deixou mais rica. Começamos a trabalhar como a gravidez dá um novo sentido à vida da mulher. No caso específico, como uma atriz, que trabalha o tempo todo com seu corpo, se vê como um veículo para gerar uma vida”, conta Petra.

E, assim, como em um ciclo, mais uma vez, Petra se aproxima de ‘Elena’. “Os dois filmes problematizam a mulher, a atriz, no lugar do sacrifício. Como em um movimento de continuidade, em ‘Elena’ mostrei a passagem da adolescência para a vida adulta, agora me debruço sobre a transformação seguinte da vida da mulher, a maternidade. Porém, ‘Elena’ mostra como ressignificar a vida através da morte e ‘Olmo’ ressignifica através do nascimento”, conclui. Já premiado no festival “CPH:DOX“, “Olmo e A Gaivota” chega aos cinemas brasileiros no segundo semestre de 2015.  Mariana Pitasse ( mariana.pitasse@brasileconomico.com.br )

O PONTO FINAL DO LUTO

O documentário “Elena” ganha mais fôlego com a publicação do livro homônimo que reúne depoimentos, fotos pessoais, resenhas, entrevistas e o roteiro do longa-metragem. Entre os autores estão nomes como João Moreira Salles, Nicolau Sevcenko, Eliane Brum, Emilio Fraia e Sérgio Lüdtke. A ideia de fazer o livro veio da mãe de Petra e Elena, a jornalista e socióloga mineira Li An, como uma necessidade. Após propor ao escritor Michel Laub, que editou o livro ao lado de Joca Reiners Terron, a mãe se viu com a difícil tarefa de revisitar a trajetória de sua filha mais uma vez. “Essa foi uma tarefa difícil, que tive que encarar. Claro que não se compara ao que passou antes, mas para mim ainda é muito difícil escrever sobre Elena. O tempo todo eu pensava que eu tinha que fazer isso. Foi como um parto, aliás, vários partos. No fim, ficava deitada no chão e uma amiga no computador arrancando algumas detalhes que faltavam” confessa Li An. Para a mãe, o livro é um pedido de desculpas. “Ao longo do tempo senti mais culpa do que saudade, perdi muitas lembranças boas porque eu não me permitia lembrar. Queria contar minha história, reconhecer meus erros. E essa coisa da culpa não cabe num artigo. Como não tenho religião, tinha que escrever algo como um pedido de perdão para o universo e para a humanidade”.

ONDE CONFERIR

“Elena “, Editora Arquipélogo (R$ 49,50). Lançamento dia 17, às 19h, no Espaço Itaú de Cinema da Augusta, em São Paulo.

Livro traz a história dos heróis da guitarra no Brasil

Em 17 de julho de 1967, centenas de pessoas saíram às ruas, em São Paulo, na marcha que ficou conhecida como “Passeata Contra a Guitarra Elétrica”. O movimento enxergava o instrumento como uma invasão da cultura estrangeira. Liderados por Elis Regina, nomes como Geraldo Vandré, Edu Lobo e até mesmo Gilberto Gil levantavam bandeiras em defesa “do que é nosso”.

Poucos meses depois, ocorreria o III Festival da TV Record, no qual se revelaria a tendência antropofágica de toda uma geração da música brasileira, que culminaria no movimento tropicalista. A partir de então, a guitarra passou a ter outra importância no cenário musical do país.

De 1967 até hoje, diversos músicos tiveram suas trajetórias confundidas com a história da guitarra no país. No livro “Heróis da Guitarra Brasileira”, os jornalistas Leandro Souto Maior e Ricardo Schott relatam a história do instrumento no Brasil contada por seus principais personagens. Entre eles, Pepeu Gomes, Roberto Frejat e Lulu Santos.

“A ideia inicial era falar sobre os heróis da guitarra. Depois, vimos que a história foi crescendo, e acabamos falando sobre a própria história do instrumento no país, tal como as dificuldades para encontrá-la no início, que variavam de lugar para lugar e de geração para geração”, conta Schott.

Sábado, dia 13/12, às 21h, haverá uma noite de autógrafos com os autores no Rio de Janeiro, durante o evento Circo Rock, no Circo Voador. O valor da entrada é de R$ 20; e o do livro, R$ 40.

Premiado ‘Rabbit’ em cartaz na Caixa Cultural do Rio

À frente da primeira montagem no Brasil do texto “Rabbit”, da autora revelação britânica Nina Raine, a Companhia Delas de Teatro se apresenta Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Em cartaz até o próximo dia 21, a encenação, que tem direção de Eric Lenate e tradução de Ricardo Estevam, já recebeu indicações ao Prêmio Shell e ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro.

A autora Nina Raine vem se destacando na cena teatral de Londres desde que se consagrou com os prêmios Charles Wintour Evening Standard e Critics Circle Award, como dramaturga promissora. Em “Rabbit”, Nina cria uma narrativa que se passa em uma única noite, na festa de aniversário de 29 anos da ácida protagonista Bella. Enquanto amigos e antigos namorados se encontram para comemorar, o pai de Bella está à beira da morte num hospital. Com diálogos inteligentes e ação bem estruturada, a peça coloca em cena disputas e ressentimentos. A Caixa Cultural do Rio fica na Av. Almirante Barroso, 25, Centro. Ingressos na bilheteria, aberta de terça-feira a domingo, das 10h às 20h.

NOTAS

Filme resgata história de Bispo do Rosário

O filme “O Senhor dos Labirintos”, de Geraldo Motta, estreou ontem nos cinemas. Baseado na biografia de Bispo do Rosário, o longa apresenta o universo paralelo criado pelo artista durante os 50 anos em que ficou na colônia psiquiátrica Juliano Moreira, no Rio.

‘O Homem Elefante’ no Oi Futuro Flamengo

Está em cartaz no Oi Futuro Flamengo, a peça “O Homem Elefante”, de Cibele Forjaz e Wagner Antonio. O texto original de Bernard Pomerance é inspirado na biografia de John Merrick, que tornou-se mundialmente conhecido com o filme homônimo, produzido em 1980.

‘As Bodas de Fígaro’ em versão musical

No palco da Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio, “As Bodas de Fígaro” de Mozart se transformam em musical. Com direção de Daniel Herz e Leandro Castilho, o espetáculo une o texto de Beaumarchais com a ópera em versões “abrasileiradas” até 8 de fevereiro.

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